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Apresentação
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ACOLHIDA

Bendita é a pessoa que parte e reparte o pão com o faminto e o necessitado!
Como fundador do Instituto Harpia Harpyia assim te acolho em nosso ninho na rede mundial de comunicação. Como ensina o profeta Isaías (c.58), tua luz brilhará quando repartires teu bocado com o faminto e o necessitado. Por bocado se entende aquilo que é vida para nós.
No símbolo da Águia da Mantiqueira buscamos expressar a inspiração que nos comove e anima em nossos sonhos e trabalhos. Reinando outrora do sudeste brasileiro aos remotos rincões do México, encontra-se hoje ameaçada de extinção. Rainha e moderadora da cadeia alimentar, a águia não sobrevive com minguada ração. Da mesma forma, nenhum agrupamento se mantém coeso sem a garantia de alimentos. Os indivíduos em desespero se arrancam em busca de comida.
Somos uma agência de defesa e promoção do direito humano básico ao alimento e à nutrição. Em nosso serviço à vida com dignidade e esperança, o direito é o fundamento; o meio ambiente, referência determinante; a vida saudável, razão de ser da alimentação e a nutrição materno-infantil, a menina dos olhos de nosso compromisso.
Na esteira de Josué de Castro, profeta de um mundo sem fome, participamos de longa e desafiadora jornada em busca de um mundo livre da miséria e dos males da degradação humana e ambiental.
Como fruto da reposta do povo e de seus governantes a um direito conhecido, reconhecido e exigido, a Política de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (SANS) deve permear toda ação governamental e ser eixo do “desenvolvimento”.
Através da implantação de rede de Centros de Referência em SANS, articulamos a aliança entre o saber acadêmico e a engenhosidade popular visando fortalecer e alcançar os Objetivos e as Metas do Milênio para a erradicação da miséria e dos males que afligem e torturam milhões de seres humanos.
Com a Aliança Municipalista pela SANS desejamos ver estatísticas que tenham rosto, nome e endereço. Quanto mais descentralizada, mais verdadeira e relevante se torna a política que, com seus programas e ações, responde a esse direito.
Bispo católico, liberado pelo Papa João Paulo II da responsabilidade pastoral pela Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, segundo o saudoso pontífice e pastor acredito que a garantia do direito humano básico à alimentação adequada é fruto da ação da família, da sociedade com todas suas instituições e de todos os níveis de governo. Somos honrados com tua visita e fortalecidos com teu testemunho e solidariedade. Vamos caminhar juntos.
Paz e Bem!

Assinatura Dom Mauro Morelli

Dom Mauro Morelli, bispo católico e peregrino.
Brasília, 01 de agosto de 2007.
Em memória de Rosa Gomes, minha mãe (* 01/08/1912 + 26/08/1987).
No 240º aniversário da fundação de Piracicaba, SP.
 
Símbolo
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Foto Harpia Harpyia Altaneira e soberana, com dois metros e vinte de envergadura, sobrevoa e vigia a natureza exuberante e bela da Serra da Mantiqueira. Revestida de luz, como um raio, mergulha certeira sobre o banquete da vida.
Não saberia dizer se minha visão remonta aos idos de antanho ou, recente, fruto dos devaneios de uma tarde de verão nas fraldas da serra que chora suas saudades.

Harpia harpyia, a águia da Mantiqueira, manifestação soberba de força e de beleza, com duplo penacho, bico e garras fortes e aduncos, pertence à família dos Acipitrídeos. Também conhecida como gavião real, uiraçu e cutucurim. A fêmea é rainha inconteste, ultrapassando o macho em tamanho.

Outrora, uma presença esplendorosa nos céus e matas da Mantiqueira; a Harpia harpyia encontra-se, hoje, em cativeiro ou cruzando para sempre nossos confins. Desfeita a cadeia alimentar, não sobrevive com rações básicas e minguadas. Como rainha, exige abundância e festa.

Os predadores ou regentes do equilíbrio necessário ao ecossistema não resistem ao esbanjamento da ganância humana e conseqüente degradação do meio ambiente. Oxalá, reis e rainhas da economia neoliberal globalizada aprendam da Harpia harpyia, dos gaviões reais, de outros abutres e predadores da natureza, o sentido da interação que faz do planeta um lugar de tanta vida e beleza.

Após séculos de rapina e saque de nossas riquezas, nossa gente busca sobreviver além fronteiras do próprio ninho. Povos dizimados e migrantes forçados já não cantam a beleza das aves, nem ouvem os trinados e gorjeios dos pássaros. Às margens dos rios poluídos da Babilônia, choram saudades dos tempos em que cachorros eram amarrados com lingüiça e crianças curtiam as delícias da vida colhendo frutas silvestres em campos e bosques.

Seduzido pela águia, sonho com um mundo sem fome e sem a guerra que traz morte e infortúnio. Banhando-me nas águas límpidas de uma cachoeira, celebro o batismo da comunhão com a natureza. Ouso imaginar a Harpia harpyia símbolo novo dos povos e das terras do continente brasileiro e sul-americano.

Oxigenado pela pureza dos ares e embalado pela carícia da brisa quente, ecoa pelo vale o grito que brota de meu peito: Hárpia! Harpyia, pyia, pyia, pyia!!! Após longo silêncio, ouve-se um novo grito no embalo do eco que enche o vale de melodia: Cutucurim! curim... curim... curim!!!
Em busca de um novo hino e de uma nova bandeira nesta passagem de milênio, a Harpia harpyia seja símbolo de um modelo de desenvolvimento que nos garanta a produção e o acesso ao alimento que nutre e sustenta a vida. Reverente às fontes da vida, reconheça às gerações futuras igual direito ao oxigênio, à água e aos frutos da terra.

Na esteira do Movimento pela Ética na Política, não desistamos de abrir estradas para que a organização econômica, social e política do país tenha como fundamento o respeito às diferenças e igual empenho em eliminar as desigualdades entre indivíduos e regiões da mesma Pátria.

Assim como a águia não vive sem a pujança da Mantiqueira, a política de segurança alimentar nutricional sustentável é um dos pilares da democracia, ou seja, da liberdade de viver com dignidade e esperança. Por este eixo do desenvolvimento passa o caminho da paz, pois garante um direito humano básico a toda e qualquer pessoa. Criança, em qualquer classe social, tem igual direito ao alimento e à nutrição. O idoso de qualquer raça ou profissão não mais produz, mas tem direito ao pão de cada dia. Sem alimento, nenhum enfermo se liberta de seus males. Comer é viver. A vida é comunhão. Um banquete!

Ao cruzarmos a fronteira de um novo milênio que o Senhor da Vida nos conduza aos rincões, serras e picos da Mantiqueira. Majestosa entre nuvens e raios de sol, que a sua beleza nos fascine e nos revele o segredo de tanta grandeza.
Com luzes, preces e abraços saudemos o novo milênio, comprometidos com o retorno da águia da Mantiqueira a seu ninho. Assim, teremos vida para as crianças e não morrerá a esperança do povo.

 

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Mauro Morelli – bispo diocesano em Duque de Caxias
25/12/2000

 
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